Nathálya Ataide Fernandes

Defesa

A LEGITIMIDADE DAS DECISÕES JUDICIAIS EM TEMPOS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: Fundamentação e desafios éticos na magistratura contemporânea

Resumo

A inteligência artificial integra o sistema de justiça brasileiro, com cento e quarenta e sete sistemas identificados pelo Conselho Nacional de Justiça em operação nos tribunais em 2024. Esta dissertação investiga em que medida e sob quais condições o uso de tais sistemas na elaboração de decisões judiciais preserva ou compromete a fundamentação como mecanismo de legitimação do Poder Judiciário. Sustenta-se que a legitimidade decisória mediada por inteligência artificial depende da inteligibilidade humana das contribuições algorítmicas, da preservação da autoria intelectual do magistrado e de mecanismos de transparência, explicabilidade e controle institucional independente. Adota-se o método hipotético-dedutivo, articulado aos métodos histórico-evolutivo, comparativo e monográfico. O segundo capítulo reconstrói o conceito de legitimidade em suas dimensões sociológica, jusfilosófica e jurídicoconstitucional, percorrendo a tensão entre as matrizes substantiva e sistêmica e densificando o regime constitucional do dever de fundamentação. O terceiro capítulo, núcleo teórico do trabalho, articula três eixos: reconstrói a teoria da argumentação jurídica de Robert Alexy, com ênfase à distinção entre justificação interna e externa; delimita a inteligência artificial pela noção de agente racional e pela distinção entre inteligência artificial (IA) fraca e IA forte; e examina a viabilidade gradativa do tratamento computacional das estruturas argumentativas em cotejo com os paradigmas técnicos contemporâneos e com a dimensão semiótica do raciocínio jurídico. O quarto capítulo problematiza opacidade, vieses, alucinações e viés de automação, articulando diretrizes para o uso legítimo da inteligência artificial na fundamentação judicial. Conclui-se que a legitimidade sob mediação algorítmica exige a preservação simultânea da inteligibilidade humana, da autoria intelectual do julgador e do controle institucional independente.

Palavras-chave

Legitimidade decisória
Fundamentação judicial
Inteligência artificial
Argumentação jurídica
Devido processo digital.

Membros da Banca

Andreas Joachim Krell (Presidente)
UFAL
Alberto Jorge Correia de Barros Lima (Interno(a))
UFAL
Juliana de Oliveira Jota Dantas (Interno(a))
UFAL
Ricardo Schneider Rodrigues (Externo(a) à Instituição)
CESMAC
Informações da Sessão
Out 22
Data e Hora
Terça-feira, 14:00h
Candidato(a)
Nathálya Ataide Fernandes
Local
FDA